Muita gente acha que negociar dívida com o banco é chegar lá com a história e torcer pra que o gerente tenha dó. Não é. Quando você entra sem dados, sem números e sem ter ideia do que você realmente pode oferecer, está negociando na escuridão. O gerente segue a lógica do banco: quanto você custa, e quanto você pode pagar. Se você não souber responder isso com números na mão, não tem negociação possível.
A boa notícia é que essa preparação não é complicada. É mais trabalhosa que difícil. Você vai juntar informação que já tem, só nunca organizou num lugar só.
Antes de marcar qualquer conversa, separe tudo o que você tem sobre a dívida que vai negociar:
Organize tudo em uma pasta ou arquivo digital fácil de acessar. Se algo estiver vago, a próxima ligação pro banco é pra pedindo esclarecimento, não pra negociar.
Se você tem mais de uma dívida (e a maioria tem), defina qual é a mais urgente de resolver:
Você vai negociar uma por uma, começando pela mais pesada. Não tente resolver tudo de uma vez na mesma ligação.
O banco vai perguntar: quanto você pode pagar por mês? Não responda de boca. Abra seu orçamento e calcule:
Um erro comum é calcular em cima do melhor mês ou da média. Use o seu pior cenário — assim, se algum mês for bom, consegue pagar mais e antecipar a quitação. Se usar a média e o mês for fraco, não consegue pagar e quebra o acordo.
Honestidade aqui não é bondade: é proteção pra você. Um acordo que você não consegue cumprir é pior que não ter acordo nenhum.
Antes de ligar pro banco, saiba como você está no mercado de crédito. Consulte seu score de crédito nos órgãos de proteção ao crédito. São três nacionais:
Verifique se há outras dívidas que você desconheça, atrasos registrados e qual é o seu score (número de 0 a 1000). Essa informação é relevante porque:
Bancos adoram entrada. Se você conseguir oferecer algo entre 10% e 30% do total da dívida à vista, as portas se abrem muito mais. Esse dinheiro não precisa ser de uma vez; pode ser a soma do que você já tem guardado em algum lugar.
Se não tem nada guardado, saiba disso também. Não finja. Mas talvez consiga um empréstimo de familiar por uma taxa menor que a dívida que está negociando — essa é uma jogada válida.
Antes de ligar, clarifique o que você realmente quer alcançar:
Tenha uma meta principal e um plano B. Se o banco não aceita a meta principal, sabe exatamente qual é a próxima melhor opção.
Quando entrar na agência ou fazer a videoconferência, leve ou tenha à mão:
Essa preparação tira você da zona de "achar que sabe" pra zona de saber mesmo. Quando o gerente vê que você tem tudo organizado e entende os números, a negociação muda de tom. Você deixa de ser alguém pedindo favor e passa a ser alguém propondo uma solução que funciona pro banco também.
O Grana Azul ajuda você a ver exatamente quanto entra por mês, quanto você gasta com essencial e quanto sobra. Com esses números claros, a negociação com o banco fica muito mais real e você consegue propor um acordo que realmente consegue cumprir.
Testar 7 dias grátisDepois que conseguir um acordo, mantenha a disciplina para cumprir. Todo atraso no novo acordo bota você de volta na lista do banco com pior histórico que antes. Se não conseguir honrar, avise o banco antes do vencimento — é melhor conversar do que deixar vencer.
E depois de quitar? Preserve essa organização. A chance de entrar em dívida de novo é alta quando você volta aos hábitos antigos de não saber quanto entra e quanto sai.